Petróleo em queda com sinais de alívio no Médio Oriente

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Segundo o Financial Times, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos seis países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) planeiam reunir-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, a 14 de setembro (segunda-feira), na cidade costeira de Salalah, em Omã. A reunião, liderada por Omã, visa obter apoio para um acordo temporário que regule a passagem de navios mercantes pelo Estreito de Ormuz. Em simultâneo, de acordo com a CCTV, o Conselho Político Supremo dos Houthis do Iémen declarou que os combates nas províncias da costa ocidental do Mar Vermelho cessaram e apelou a todas as partes para pressionarem a Arábia Saudita a evitar uma nova escalada na região.

Com o estímulo destas notícias, os preços internacionais do petróleo caíram, com o Brent a recuar quase 2,0% no dia, para 105,57 dólares por barril. Ao mesmo tempo, a bitcoin caiu abaixo dos 77.000 dólares e os futuros das ações norte-americanas subiram em toda a linha. O ouro à vista subiu 1%, para 4.357,59 dólares por onça.

 

Reunião de Salalah: procura de apoio multilateral para o acordo de Ormuz

Segundo o Financial Times, citando duas fontes familiarizadas com o assunto, a reunião está marcada para 14 de setembro em Salalah, Omã. Uma das fontes afirmou que os detalhes ainda não estão finalizados, mas vários países já confirmaram presença e espera-se que a reunião decorra conforme planeado.

Esta será a primeira reunião entre altos diplomatas dos seis países do Conselho de Cooperação do Golfo e altos funcionários iranianos desde que os EUA e Israel lançaram a guerra contra o Irão em fevereiro. Os membros do CCG incluem Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã. Apesar dos ataques com mísseis e drones do Irão contra vizinhos árabes, a Arábia Saudita e os EAU mantiveram canais diplomáticos com Teerão.

Segundo fontes, o Irão e Omã esperam usar o apoio do CCG para pressionar os EUA a levantar o bloqueio aos portos iranianos. Para os países do CCG, o objetivo é garantir que qualquer acordo seja de natureza temporária e que os navios mercantes possam entrar e sair do estreito normalmente.

Há cerca de duas semanas, Teerão e Mascate afirmaram publicamente que estavam a finalizar um acordo temporário — os navios mercantes entrariam no Estreito de Ormuz através de águas iranianas e sairiam principalmente através das águas territoriais de Omã. As águas territoriais de Omã atravessam o Estreito de Ormuz, o que lhe confere uma vantagem geopolítica única nesta mediação.

 

Divergências entre EUA e Irão persistem; reabertura total do estreito enfrenta obstáculos

Apesar do ímpeto positivo da mediação, diplomatas advertem que a reabertura total do Estreito de Ormuz ainda depende de um acordo entre os EUA e o Irão.

Segundo o Financial Times, citando fontes, os EUA deixaram claro aos mediadores que não voltarão a adotar o memorando de entendimento assinado com o Irão em junho, insistindo num acordo mais abrangente que inclua a questão nuclear.

O Irão, por sua vez, mantém que, mesmo que chegue a um acordo com Omã sobre o estreito, só permitirá a reabertura total depois de os EUA satisfazerem as suas condições. As condições iranianas incluem: o levantamento do bloqueio aos seus portos, o restabelecimento das isenções que permitem a venda de petróleo e o acesso a parte dos ativos congelados no estrangeiro.

Anteriormente, os EUA e o Irão assinaram um memorando de entendimento em junho, que previa a extensão do cessar-fogo por 60 dias, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e negociações finais sobre o fim da guerra e o programa nuclear iraniano. No entanto, as partes acusaram-se mutuamente de violar o acordo — parte da controvérsia resultou de divergências sobre o trânsito de navios mercantes — levando a uma nova escalada cíclica. Atualmente, não existem negociações diretas entre os EUA e o Irão, mas os mediadores mantêm canais diplomáticos de bastidores. Segundo relatos, uma delegação do Catar visitou Teerão duas vezes na semana passada para promover novas propostas diplomáticas.

 

Declaração de cessar-fogo dos Houthis: sinais de alívio no Mar Vermelho

De acordo com a CCTV, o Conselho Político Supremo dos Houthis do Iémen declarou que os combates nas províncias da costa ocidental do Mar Vermelho cessaram e afirmou que "as forças armadas anteriormente mobilizadas pela Arábia Saudita para ameaçar as regiões em questão foram expulsas".

Na declaração, os Houthis apelaram a todas as partes para pressionarem a Arábia Saudita a parar de enviar forças armadas e militantes para áreas sensíveis como a costa ocidental do Mar Vermelho, a fim de manter a segurança da navegação e evitar a escalada. Até à publicação, a Arábia Saudita não tinha respondido.

Esta declaração surge no contexto de uma ofensiva recente dos Houthis para reforçar o controlo do Estreito de Bab el-Mandeb — outra via marítima global crítica. A tensão simultânea nas duas vias estratégicas contribuiu significativamente para a subida do preço do Brent para 105 dólares por barril.

 

Foco do mercado: será que o acordo temporário se concretiza?

Para o mercado energético, a questão mais crítica é: conseguirá a reunião de Salalah, na próxima segunda-feira, impulsionar progressos substanciais no acordo temporário de Ormuz?

Trump afirmou anteriormente que o Estreito de Ormuz já estava aberto, mas, segundo o Financial Times, as exportações de energia dos países do Golfo continuam severamente limitadas e as importações através daquela via também não conseguem transitar normalmente.

A transformação da atual oportunidade diplomática num acordo operacional depende de várias variáveis: a capacidade do CCG de alcançar consenso na reunião de Salalah, a mudança de posição dos EUA face às condições iranianas e o reconhecimento e implementação contínua do cessar-fogo declarado pelos Houthis. Os investidores acompanham de perto o impacto destes desenvolvimentos na evolução dos preços do petróleo.

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